A garça do Itamaraty
rácil, sem pejo, caminha entre as plantas
Revoa e adeja sobre a água,
Dança nas rampas do Palácio a garça.
Nenhum olhar lhe é indiferente.
Com garbo e altivez freqüenta a casa
De cerimoniosa acolhida.
Nomes lhe põem a evocar nobreza:
Duquesa, princesa, baronesa.
Os epítetos não lhe tiram o aprumo.
Olímpica, cumpre seu ritual passeio
Em torno aos arcos da fachada.
Guardiã pacífica, contempla, intrépida,
O ir e vir das visitas forasteiras.
Estrela par do Meteoro,
Com ele engrinalda os jardins do poeta da paisagem.
Com quanta cal lhe pintaram o traje de penas?
Com quanto esmero lhe puseram ereto o longo colo?
Com que mestre decorou a arte do baile de gala?
Mensageira do reino encantado dos bichos de plumas
A graciosa bailarina desfila a silhueta
Pela casa da diplomacia
E amacia com seu gesto
A sisudez dos homens e o rigor das horas.
Por instantes, o mundo dá uma pausa
E vira apenas o movimento compassado
da duquesa-embaixadora.
Acir Pimenta Madeira Filho, 2010
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| Duquesa: ryca e poetizada |

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