quarta-feira, 22 de abril de 2015

A loucura do rei George

Em frente à embaixada da Terra Papagalis junto à Corte de Saint James há uma estátua equestre do rei George III, inaugurada - a estátua, não a missão diplomática - em 1836. Todo mundo que passa por ali, na Pall Mall Leste, nem dá muita bola pro monumento. Porém, basta mudar de posição - o transeunte, não a estátua - para entender melhor o que faz, exatamente naquele lugar, o rei retratado. Seu cavalo avança bravamente em direção ao pálio nacional do país sul-americano.

Ao que tudo indica, com a crise no Brasil, ele - o rei, não o Brasil - seria mesmo um tresloucado em sugerir a rota da saída da crise europeia para o país tropical onde mora uma nega chamada Tereza. Ao tentar pedir asilo, mal sabe ele - o rei, não seu cavalo - que terá que dormir debaixo da ponte, pela RF com atraso recorrente, salários abaixo da média da Esplanada, cortes semestrais no orçamento e falta de vagas para promoções.

Sabe-se que o rei George foi diagnosticado como "louco". O Jacaré Lacan afirma que o diagnóstico partiu dos políticos daquele então. Seus sintomas - do rei, não de Lacan - teriam começado a aparecer durante a guerra de independência da colônia britânica que hoje são os Ishtados Zunidos. Perdeu-se uma parte da América, mas ganhar-se-á (menos um ponto na redação, por pedantismo) outra parte dela - da América, não da nega Tereza.




George III visto pelos turistas e residentes em Londres



George III visto pelo Jacaré Lacan 


Jornal do dia seguinte à inauguração da estátua. 
Do acervo do Jacaré Lacan.

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